O futuro da interoperabilidade no setor de saúde
Como padrões abertos como FHIR e HL7 lançam as bases para um ecossistema de saúde integrado. Uma análise do Wegiz, do EHDS e do papel do ecossistema CareHub.
O ecossistema de saúde fragmentado
O sistema de saúde está entre os melhores do mundo, mas nos bastidores o setor enfrenta um problema fundamental: mais de 1.000 sistemas de software diferentes que praticamente não se comunicam entre si. De prontuários eletrônicos e sistemas de informação de médicos de família a softwares de farmácia e plataformas de imagem – cada sistema funciona como uma ilha isolada.
As consequências são sentidas em todos os níveis. Pacientes precisam compartilhar seu histórico médico novamente a cada prestador de cuidados. Médicos de família não têm visibilidade sobre a medicação prescrita por um especialista. Enfermeiros inserem os mesmos dados manualmente em múltiplos sistemas. Essa fragmentação não leva apenas a frustração, mas também a riscos médicos: informações não disponíveis a tempo podem resultar em diagnósticos incorretos ou exames duplicados desnecessários.
Segundo o Nictiz Monitor Digital Care, 70% das instituições de saúde estão ativamente em busca de soluções para melhorar a troca de dados. Cresce a consciência de que a interoperabilidade – a capacidade dos sistemas de trocar e interpretar dados de forma integrada – não é mais um luxo, mas uma necessidade absoluta para um sistema de saúde preparado para o futuro.
A questão não é mais se a interoperabilidade virá, mas como aceleraremos a transição para um ecossistema de saúde integrado. Neste artigo, analisamos as dimensões legislativas, técnicas e práticas dessa transformação.
70%
Buscam interoperabilidade
Fonte: Nictiz e-health Monitor, 2024
1000+
Sistemas de software em saúde
Fonte: Nictiz/VWS, 2024
40%
Economia de tempo com integração
Fonte: CareHub case studies
Wegiz e EHDS: legislação como catalisador
O governo reconheceu a urgência da interoperabilidade e a traduziu em legislação concreta. A Lei de Troca Eletrônica de Dados na Saúde (Wegiz), aprovada pelo Senado, obriga os prestadores de cuidados a trocar dados de pacientes eletronicamente. Este é um passo histórico: pela primeira vez, a troca digital de dados não é mais opcional, mas legalmente obrigatória.
Wegiz: obrigação nacional
O Wegiz estabelece requisitos escalonados para a troca eletrônica de dados. Na primeira fase, a transferência de medicação e a transferência de enfermagem tornam-se obrigatoriamente digitais. Fases subsequentes expandem isso para resultados laboratoriais, laudos de imagem e cartas de encaminhamento. Fornecedores de software devem demonstrar que seus sistemas atendem aos padrões de interoperabilidade estabelecidos.
EHDS: marco europeu
No nível europeu, o European Health Data Space (EHDS) cria um marco uniforme para dados de saúde. Esse framework possibilita que um paciente que precise de cuidados na Alemanha ou na Espanha tenha acesso ao seu prontuário médico. O EHDS também estimula o uso secundário de dados anonimizados para pesquisa e formulação de políticas.
IZA: ambições para 2026
O Acordo Integral de Saúde (IZA) traduz essa legislação em ambições concretas. Para 2026, a meta é que todos os prestadores de cuidados relevantes possam trocar dados digitalmente conforme os padrões estabelecidos. Isso exige investimentos em infraestrutura, capacitação e mudança cultural nas instituições de saúde.
Este triângulo legislativo – Wegiz, EHDS e IZA – forma um catalisador sem precedentes para a padronização. Organizações de saúde que investem agora em sistemas interoperáveis não apenas se posicionam em conformidade com a lei, mas também constroem uma vantagem que será crucial nos próximos anos.
FHIR e HL7: os padrões técnicos
Por trás de cada troca de dados bem-sucedida na saúde estão padrões técnicos que determinam como os sistemas se comunicam entre si. Dois padrões formam a espinha dorsal: HL7 e FHIR.
HL7: o padrão consolidado
HL7 (Health Level Seven) é há décadas o padrão internacional para a troca de mensagens médicas. O protocolo define como dados clínicos e administrativos são estruturados e enviados entre sistemas. Muitos softwares de saúde existentes são construídos sobre mensagens HL7 v2, o que oferece uma base sólida, embora por vezes rígida, para a troca de dados.
FHIR: o padrão moderno de API
FHIR (Fast Healthcare Interoperability Resources) é o sucessor que está revolucionando o setor de saúde. Diferentemente da troca tradicional de mensagens, o FHIR trabalha com APIs RESTful modernas – a mesma tecnologia que impulsiona aplicações como sistemas de pagamento digital e identidade digital. Os dados são estruturados em “resources” (como Patient, Observation, MedicationRequest) que podem ser consultados e compartilhados em tempo real. Isso torna o FHIR extremamente adequado para aplicações móveis, portais de pacientes e integrações entre diferentes domínios de saúde.
NEN7510: segurança como alicerce
Interoperabilidade sem segurança é irresponsável. NEN7510 é a norma para segurança da informação na saúde e constitui o alicerce de segurança sobre o qual toda troca de dados se sustenta. Em combinação com a legislação de proteção de dados, a NEN7510 garante que os dados dos pacientes sejam não apenas integrados, mas também trocados de forma protegida. Toda implementação de FHIR ou HL7 deve estar em conformidade com esta norma de segurança.
FHIR R4 como padrão
O Nictiz designou o FHIR R4 como o padrão para novas trocas de informações em saúde, com o objetivo de criar um ecossistema digital de saúde uniforme e preparado para o futuro.
O papel do ecossistema CareHub
Legislação e padrões criam o marco, mas a verdadeira transformação acontece na prática. É aqui que entra o ecossistema CareHub da PCD CareHub: uma resposta concreta ao desafio da interoperabilidade.
25 empresas complementares
O CareHub conecta 25 empresas complementares de tecnologia em saúde, cada uma atendendo a uma parte específica da cadeia de cuidados. De sistemas de prontuário eletrônico e software de escalas a segurança medicamentosa e comunicação com o paciente – todas as soluções são projetadas para funcionar de forma integrada por meio de padrões abertos.
Padrões abertos como fundamento
Dentro do CareHub, a interoperabilidade não é um aspecto secundário, mas o princípio arquitetônico. Todas as empresas conectadas implementam interfaces FHIR e integrações HL7, permitindo que os dados fluam em tempo real entre os sistemas sem intervenção manual ou registro duplicado.
O que diferencia o CareHub de integrações isoladas é a abordagem de ecossistema. Em vez de integrações ponto a ponto – que crescem exponencialmente em complexidade – o CareHub oferece uma camada de integração compartilhada. Quando uma nova empresa de tecnologia em saúde se conecta, ela é imediatamente vinculada a todos os participantes existentes. Isso reduz drasticamente os custos de integração e encurta o tempo de implementação de meses para semanas.
A PCD CareHub seleciona e orienta empresas de tecnologia em saúde que contribuem de forma comprovável para a ambição de interoperabilidade. Ao oferecer serviços compartilhados nas áreas de compliance, governança e arquitetura técnica, a PCD garante que todos os participantes do ecossistema estejam em conformidade com os requisitos do Wegiz, as normas NEN7510 e as especificações FHIR.
O resultado: interoperabilidade que não permanece teórica em documentos, mas que funciona diariamente na prática das organizações de saúde.
O que isso significa para as organizações de saúde?
Para as organizações de saúde, a interoperabilidade se traduz em benefícios tangíveis que melhoram tanto a qualidade do cuidado quanto a gestão operacional.
Benefícios concretos da interoperabilidade:
- Uma visão unificada do paciente: todas as informações médicas relevantes disponíveis em uma única tela, independentemente de qual sistema de origem contém os dados. Sem mais trocar de abas ou ligar para colegas em busca de informações faltantes.
- Menos registro duplicado: dados inseridos em um sistema ficam automaticamente disponíveis nos sistemas conectados. Isso economiza até 40% do tempo administrativo dos profissionais.
- Melhor coordenação do cuidado: nos momentos de transferência – do hospital para o médico de família, da saúde mental para a equipe do bairro – as informações fluem automaticamente. Isso evita a perda de informações e agiliza o processo de cuidado.
- Preparado para o futuro: ao construir sobre padrões abertos como FHIR, sua organização evita o vendor lock-in. Novas aplicações e módulos podem ser facilmente adicionados sem perturbar o ecossistema existente.
A transição para sistemas interoperáveis é um investimento que se paga. Organizações que agem agora não apenas se beneficiam de eficiência operacional, mas também se antecipam proativamente às obrigações do Wegiz que entrarão em vigor nos próximos anos.
O ecossistema CareHub oferece às organizações de saúde um caminho comprovado para a interoperabilidade: não trajetórias de migração longas e arriscadas, mas uma abordagem modular na qual os sistemas existentes são conectados passo a passo por meio de padrões abertos.
Interoperabilidade é a chave para um sistema de saúde preparado para o futuro
A combinação de legislação, padrões abertos e o ecossistema CareHub torna o cuidado integrado uma realidade. A PCD CareHub constrói a ponte entre ambição e prática.
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